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Resenha Livro: O inocente


28 de fev de 2013

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Título Original: The Innocent Man
Autor: John Grisham
Editora: Rocco
Ano: 2006
Páginas: 384
ISBN: 8532521223
Avaliação: Razoável - faltou metodologia por parte do autor. 
Em 1971, Ron Williamson era o melhor jogador de beisebol de Oklahoma. Com personalidade forte e um talento inato para os esportes, Williamson estava em ascensão. Ao mesmo tempo em que ganhava notoriedade por belas jogadas, ficava famoso por beber demais, usar drogas e envolver-se com muitas mulheres. O comportamento, junto com um braço lesionado, acabou lhe custando a carreira. Quando voltou para sua cidade natal, Williamson havia perdido tudo. Da vida glamourosa, restavam apenas as bebedeiras, que acentuavam o comportamento maníaco-depressivo do ex-jogador. Esse círculo vicioso foi interrompido em 1982, quando um assassinato ocorreu em Ada, sua cidade-natal. A garçonete Debbie Carter foi encontrada morta. Três meses mais tarde, por razões que nem a própria polícia podia confirmar, Ron Williamson e seu amigo Dennis Fritz haviam se tornado os principais suspeitos do crime. A prisão ocorreu anos depois e um julgamento equivocado, com testemunhas que não tinham nada a dizer e delatores de dentro da própria cadeia, levou Williamson ao corredor da morte. Fritz foi condenado à prisão perpétua. Enquanto eram realizadas as investigações do caso, outra jovem, a estudante Denice Haraway desaparece. Pouco mais de um ano após o desaparecimento de Denice, novamente com a ajuda de delatores e com a produção de dois depoimentos arrancados à força dos suspeitos, o tribunal de Ada mandava mais dois homens para o corredor da morte. Neste livro, Grisham narra com detalhes os episódios ocorridos ao longo de duas décadas. O autor relata as formas de investigação empregadas pelos policiais e o tratamento dispensado aos condenados à pena de morte no estado de Oklahoma. No prólogo, mostra o quanto o Estado perde com processos indevidos.


John Grisham é um conhecido autor de thriller jurídicos,  tem toda uma aura New York Times Best Author e seus livros deram origem a diversos filmes. Eu, particulamente, gosto das ideias dos seus livros, mas não curto muito o estilo da escrita. É aquele caso: como escritor, John Grisham, é um ótimo roteirista.
Em O inocente, John Grisham escreve um livro de não-ficcção, relatando as condenações injustas e no mínimo inconstitucionais de Ron Williamson e Dennis Fritz pelo homícidio de Debbie Carter. A essência do livro é excelente, dá uma aula sobre o sistema penal americano, analisando os pormenores do que é considerado justiça naquela época.
Na pequena cidade de Ada, no Estado de Oklahoma, o homicído brutal de Debbie Carter e o desaparecimento de Denice Haraway causa revolta na população e a polícia local se sente pressionada e impelida a resolver a qualquer custo os crime e para isso se vale de má fé, testemunhos falsos, confissões em sonhos, opiniões de peritos equivocadas. Valendo-se desses artifícios, conseguem a condenações: Ron Williamson a pena de morte e Dennis Fritz a prisão perpétua.
John Grisham esmiuça o caso, apresentando as falhas de todo o sistema e das pessoas que participaram da condenação. O nível de pesquisa de Grisham é notável. Logo conhecemos todo o absurdo que a polícia de Ada classificou como um caso forte contra Ron Williamson e Dennis Fritz... Ron, com um histórico de bebedeira e excessos, vira suspeito devido ao testemunho da última pessoa vista com a vítima( absurdo) e Dennis devido a sua amizade com Ron.
O livro tem um quê de Kafka em O processo...temos dois indivíduos são arrastados para um julgamento baseado no “instinto” dos investigadores, contando com uma representação falha, onde suas declarações são ignoradas ou mal interpretadas e suas vidas interrompidas por 12 anos. Fritz lembra muito o Josef K, ambos são vítimas do sistema e suas vidas passam a se adaptar ao fato que são considerados culpados por algo que não conseguem entender. Admito que ainda não tinha “digerido” muito bem o livro O processo, mas, o livro O inocente fez com que minhas ideias ficassem mais claras.
Recomendo o livro mas com certas ressalvas sobre a escrita de John Grisham. Em O Inocente, ele sai da sua zona de conforto – romances jurídicos – mas leva suas principais características: apresentação um tanto confusa de certos personagens, assim como a linearidade da história; livro contendo um narrador onisciente, irônico e sarcástico. Por ser uma história real, esperava que Grisham mantivesse uma postura de pesquisador digamos, sério... dá a impressão que ele encontrou a história, gostou e moldou-a a sua fórmula de sucesso de romances.  No livro, ele diz que levou 18 meses pesquisando sobre o caso, mas não temos uma indicação direta das fontes; as citações são mal elaboradas e ele podia ter exposto mais o seu material de pesquisa, Grisham somente mostra algumas fotos, pouco, se considerarmos a quantidade de manchetes de jornais, relatórios, autos e etc.
Concluindo, achei o livro muito bom, pelo seu conteúdo, mas perde alguns pontos para a, digamos, execução da obra (escrita de John Grisham).  Parte da obra chega a agoniar o leitor pelas injustiças sofridas pelos “réus” e pela ignorância por parte daqueles responsáveis pela manutenção da Lei e da Ordem.
PS : Nunca mais verei Law and Order com os mesmos olhos, idem para os júris americanos – foi a idealização formada em 12 Homens e uma Sentença.
PS 2: Olha, podia ter mudado o título do livro, remete muito aos romances dele....faz pensar que é só mais um...Vou exemplificar alguns títulos: O Júri, O Advogado, O sócio, A firma, O cliente A intimação.

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